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quinta-feira, 24 de junho de 2010

saudades...BOLO DE AIPIM...amor...











*“...não sei porque você se foi...tanta saudade eu senti...”

Bolo de aipim
(gosto daquele da Primor)

Para falar de saudade, basta um café com leite e uma fatia de bolo de aipim!
Acordei com saudades...sabe daquelas que umedecem os olhos e lambuzam o coração de vontades? Isso mesmo, igualzinha ao bolo de aipim úmido e doce que compro na padaria perto de casa.
Nossa, é uma mistura tão singular-abundante, tão doce-carinho, que traz consigo uma esperança-quente-dorzinha...sei lá...hoje acordei assim.
A cada porção de sabor-saudade relembro momentos da minha história, vividos intensamente e que degustados agora na maturidade, me convenço de que eu os viveria (se pudesse) de novo e do mesmo jeitinho...
Outro dia li no blog do Queiroz algo mais ou menos assim: “sentir saudades do que não existiu, dói bastante”
...ainda não sei se concordo com ele...
Sem achismos mas já achando, acho que a saudade só é sentida pelo que vivemos, pelo que experimentamos e, cá venhamos, já experimentamos muito, certo?
Minha experiência agora é com a solidão de um amor...ahhhh, essa danada...e talvez por vivê-la hoje, sinta saudades do que já vivi de bom e do que também não foi tão bom assim...
“...chego a ter medo do futuro...e a solidão que em minha porta bate...e eu gostava tanto de você, gostava tanto de você...”
E qual é o problema em querer andar de mãos dadas, sair pra jantar, bebericar um vinho, confidenciar elogios e carinhos, caminhar lado a lado para ver o sol se por, acordar abraçadinho, fazer amor nem que seja rapidinho, ver o mar, rir junto das discussões, dividir a vida e tomar um café com leite quentinho com uma fatia de bolo de aipim?
“...pensei até em me mudar...lugar qualquer que não exista o pensamento em você...vou morrer de saudade...não, não vá embora!

- *Tania Mara/ Composição de Edison Trindade – Gostava tanto de você

quinta-feira, 17 de junho de 2010

pão francês ... manteiga... café com leite ....





Tudo bem que o meu café da manhã não é dos melhores, mas com certeza é o mais recheado de pensamentos mastigados e encharcados de sensações...
Pra mim o pão tem que ser amanhecido e a manteiga Aviação, mas hoje foi com margarina mesmo...
Uso sempre uma das duas canecas que ganhei da minha pequena...uma, da Betty Boop (que me lembra que sou sexy...hehehe) e a outra, cheinha de corações e mães espalhadas pela porcelana (que me lembram que amar é uma escolha)...
Ahhh, como são bons esses momentos!
Já percebeu como as nossas coisas de fora vão se misturando às coisas de dentro e vamos nos construindo?
São 11h36min de uma quinta-feira...calma, não sou folgada não (bom, pelo menos acho que não), é que hoje não dou aula pela manhã...e tanta coisa já aconteceu sem mesmo ter saído de casa. Pra dizer a verdade, fiz o caminho da cama para o banheiro, para o pc, para a cama, para a cozinha...me dou esse presente sempre que posso!
Quando me sentei pra molhar o meu pão no leite, lembrei de uma conversa com um “aminet” quando falávamos da imagem que montamos nas nossas fantasias da pessoa ideal (se é que existe)...aí, ele me mandou um texto – também não sei se dele ou não, mas que me chamou a atenção e até brinquei com ele, dizendo que ele então sonhava comigo (modesta de doer!)...no texto dizia que buscava uma mulher que tivesse cérebro!
Logo de cara quis bater nele, mas degustando meu café desejei abraçá-lo e dizer-lhe obrigada!
Obrigada porque toda vez que leio a nossa conversa e molho o pão no leite me lembro de quem sou e do que me formo...e aí, encaro o dia, lavo a xícara, me recomponho, junto os farelos do pão pela mesa e sigo em frente...numa edição revista, atualizada e marcada pela margarina que caiu no pijama...


Aminet = amigo de internet

terça-feira, 1 de junho de 2010

amigos...POLVILHO...cantina...






“...eram os últimos:
risos, provas,
relatórios e biscoitinhos
com gostinho de faculdade...”




Biscoito de polvilho com gergelim

Polvilho
Queijo
Leite
Óleo
Ovos
Sal
Gergelim


Última prova...
Último dia...
Últimos encontros...


A prova era de Gastronomia Natural assim como era natural que um dia o curso acabasse e cada um tomasse o seu rumo.

Entre risos alvoroçados, gostinho de fim disfarçado, tristeza escondida nos olhares durante a prova...
Concluímos o curso – Turma 2008 de Gastronomia do CESUMAR.

Terminada a prova, descemos para a cantina afim de “glicosarmos” e prolongar a despedida.

Entre biscoitinhos de polvilho, refris e cafés... dávamos os últimos retoques nos relatórios de alguns e os outros davam apoio...

Como eram crocantes aqueles momentos na cantina em que comíamos os biscoitinhos e dividíamos planos e sonhos.

Os biscoitos de tamanhos variados, uns mais gordinhos, outros mais magrinhos se comparavam aos colegas que se reuniam naquele 26 de junho...

Cláudia, Alecsandra, Lorena, Juju, Dorinha, Victor, Jaq, Marcinha e eu...

Foram quatro pacotes de biscoito, muitas risadas e alguns choros...

Como foram saborosos esses momentos...

Cada biscoito com sua crocância...

Cada comentário com sua picância...

Cada amigo com seu sabor, seu cheirinho...

Em breve nos encontraremos para uma feijoada, uma pizza ou uma sopa.

Que sabor vamos degustar não importa!

O que importa é saborear a goles encorpados a amizade conquistada!!

Gotas espessas de vida








Oito de maio – o último encontro de três abundantes, mexidos e recheados encontros...
O curso – pós docência em Gastronomia...
A disciplina – qualidade como diferencial gastronômico...
Os alunos e o professora – histórias marinadas em temperos de vida, em confortos de alma...
Tantas mãezinhas, vozinhas, pais e lembranças povoando a farta mesa de degustação...
Olhos úmidos de aromas, sabores e algumas dores seladas em ternura...
Entre tortas, bracholas, petit fours, pedaços de nuvens e até mesmo um baconzitos serviram de mise en place para o momento de compartilhar a nossa essência: vivências em gotas espessas de alegria e saudade...
Ao final de cada relato, um novo sabor surge, um novo aroma penetra suave mas impregnantemente na alma...
Um novo olhar para a vida!
Olhar que vem para nos melhorar;
Olhar que vem como bálsamo para as dores;
Olhar que vem para marinar lembranças que ainda sequer foram imaginadas, mas que hoje temperam o presente, degustam o passado e salpicam o futuro!

menino...TRUFAS...homem...





"...ah esse infinito labirintos de desencontros amorosos..." *Vinícius de Morais




Trufas
6 trufas de amarula
(eu prefiro as da Cacau ShoW)


Nos conhecemos pela internet...conversa vai, conversa vem...identificação.
Aí, marcamos um café, desmarcamos; marcamos outro, desmarcamos.
Por fim, uma visita ao hospital...
Pelas conversas já sabia que gostaria dele...é o meu número, é o meu jeitão...
Depois desse encontro, outro surgiu...
Regado a trufas de amarula...seis...meia dúzia...
Quando olho pra ele, sinto-o consistente nas ideias como a trufa com sua casquinha de chocolate...dura ao quebrar-se, mas que dissolve na boca quando degustada...
Quando o leio, vejo-o como o recheio...cremoso-sonhador-doce, alcoólico-forte-menino...
menino-homem-menino...
Continuamos conversando...não sei ainda se nos encontraremos novamente...
Somos turrões...não abrimos mão do que queremos!
Eu quero mais do que pode me oferecer, aliás, muito mais...
Ele, só pode me oferecer o que não quero...
Então...melhor continuar caminhando...caminhando...caminhando...

afetos...SASHIMI...selados...






Sashimi de salmão e uma sakerinha
(escolhemos o Momiji para a celebração)


Um ano era o tempo que nos separava do último encontro...
Nessa ausência de degustações, saboreamos algumas vezes idéias e a vida por e-mails que surpreendiam quando abria minha caixa postal...
O sashimi veio todo fresco e arrumado numa daquelas barquinhas, intercalado com pepinos, cenouras, alfaces, gengibre e wasabi...
A vida veio de novo como degustações de carinhos, olhares e análises gustativas...
A sakerinha nos chamou a atenção...abacaxi com hortelã, sakê, açúcar mascavo e gelo...
Na chegada um abraço apertado...gostoso...demorado...cheio de sabores-aromas-desejos...
No jantar troca de olhares-convite, toque de mãos-apelo e sorrisos pela nossa falta de habilidade com os hashis...
Saudades...goles gustativos...olhares sensitivos...sashimis picantes...sorrisos aromatizados...
Ahh...como saboreamos cada minuto do nosso encontro...
Como degustamos a vida que temos e os momentos que pertencem a nós dois...
Não nos pertence ainda o que o futuro nos prepara, além de outros saboreios, outras degustações ou outros encontros...mas uma coisa nós sabemos:
o que vier, sempre degustaremos com intensidade, perfumados de picâncias, marinados em afetos, selados pelos toques efervescentes de pele, de mãos, de corpos...

amigos...PIZZA...professores...


...no começo era só um professor-novo e um novo-professor.
Hoje...
não sei se é amigo porque foi professor ou se foi professor porque é amigo...





Pizza

Farinha de trigo
Azeite
Açúcar
Fermento
Melhorador
Sal
Água


De tanto “aporrinharmos” o tio (assim chamado carinhosamente nosso professor Thiago), ele resolveu cozinhar para nós.

Como era a última aula, do último semestre, nada melhor que uma boa pizza.

Rimos muito quando comparamos o momento com o Brasil, onde tudo acaba em pizza...

E o nosso curso literalmente acabou em pizza...

Mise en place preparado, começou a mexilança.

Na verdade, a mistura da farinha, do azeite, do açúcar, da água e da diversidade de sabores preparados se compara às diferentes “figuras” da nossa turma.

Todos diferentes em torno de um só objetivo: formar-se...

O molho de tomate preparado na noite anterior aderiu à massa crocante, formando o leito para as coberturas...assim como nossas mentes serviram de amparo aos conhecimentos recebidos.

Cada ingrediente no seu pote; cada conhecimento na sua caixinha...

Cada colega, um caminho...

Aulas, risos, aromas, trabalhos, choros, texturas e algumas perdas pela jornada...

Uns amadureceram, outros descobriram caminhos possíveis...

Gorgonzola, parmesão, azeitonas, anchovas, manjericão...

Texturas, sabores e amores conquistados em dois anos e meio de curso, degustados em meio a aulas, discussões, alguns ransos, alguns “malas”...

Tudo marinado em muita amizade, solidariedade e amor...

A pizza?? Ficou boa, muito boa!!

A faculdade?? Continua lá, recebendo outros futuros gastrólogos.

A turma?? Cada um seguindo o caminho escolhido.

A amizade?? Ahhhh...essa vai ser pra sempre...ou até que uma outra pizza nos reúna pra matar a saudade!!

Amigos e professores: Amo muito tudo isso!!!

19/6/2008, às 9h30, durante a aula...

elas...BATATAS...vida...





"...um dia frio, um bom lugar pra ler um livro..."* Djavan


Caldo de batata

Batatas cozidas
Sal
Pimenta
Bacon frito
Calabreza
Parmesão ralado grosso
Um pão italiano




...bebericar um vinho...

...curtir uma bela companhia...pode ser de uma filha, de uma amiga, da família, dos amigos da filha ou de um amor (o que não seria ruim...)

Ou somente...ler um livro...

Huummmm...olhar o mar seria bom também!!

Deixo de lado as possibilidades (acho que mais sonhos-desejos que possibilidades, mas vá lá!) e me atenho a sentar-me na cozinha em companhia de minha filha, num dia frio, com direito a pijamas e pantufas e, degustando a nossa iguaria, saboreamos juntas lembranças de uma porção de vida que não mais existe fora das lembranças...mas que formam a nossa história.

A cada bocado...um riso...um aroma...de momentos vividos com gostinho de esperança, com gostinho de futuro.

A cada pão imerso no caldo, um motivo pra continuar seguindo em frente...realizando projetos-sonhos que apimentam nossa vida.

A cada suspiro de delícia...uma lágrima insiste, marinando o que não pode ser mais degustado - a vida que tínhamos a três: eu, ela e o Zé...

Não sei se um dia entenderemos, mas também agora já não importa...somos sobreviventes...como tantos outros...

Reconstruímos a cada dia...
Nos revemos a cada bocado de vida...
Sonhamos outros sonhos...
Realizamos novos projetos...

Eu e ela,
Ela e eu,
E o nosso caldo...


Mirepoix

- Nem um dia - Djavan