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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

amargo...JILÓ...vida...

















Alguns jilós cortados em 4 partes, ervas frescas, sal e azeite de oliva
Pode parecer incrível, incoerente e até mesmo incabível para alguns, mas vim comer jiló esse ano...foi num evento dos meus alunos de Gastronomia.
Que experiência!
Nunca havia provado porque sempre ouvi as pessoas dizerem que era amargo, mas que fazê-lo fritinho com cebola era uma delícia...(e vc acha que eu ia arriscar???)
Decidi então não protelar mais tal acontecimento...
E hoje este texto surgiu porque um amigo, daqueles amores pra vida inteira, perdeu um irmão e, nesses momentos, a reflexão sobre a vida, sobre as dores, sobre as perdas vêm como uma brasa viva aquecendo e queimando meu coração e minha mente...
O amargo do jiló...a dor da separação...a vida protelada...
Longe das minhas intenções igualar a perda de um irmão com a degustação de um jiló...mas vc percebe como a vida se apresenta sempre em pequenos goles de bom vinho, finos acepipes e também em cálices de um fel intragável?
Se é que existe essa relação de vantagem/desvantagem, em relação ao jiló, pude protelar a degustação do “talzinho”, mas a perda não pode ser protelada e quando nos referimos à morte...ela sempre nos pega de jeito!


Talvez a vantagem do jiló seja que se vc mariná-lo no dia anterior no azeite aromatizado ele perde o amargo...e mesmo se o consumimos normalmente o amargor passa logo...
Bom, se pensarmos na morte, também podemos ir marinando com as lembranças, com o amor que fica...(qdo fiquei viúva, perguntei pra algumas pessoas e por algum tempo, o que eu deveria fazer com o amor que ficava...com as palavras não ditas, com aquelas que foram ditas...com o perdão não pedido e não dado...ninguém teve resposta...fui vivendo)...
Mas ainda vai um tempo (e que tempo!) até que a dor suma e fique só a saudade (que pra mim é aquele morninho que fica dentro da gente) e continuamos caminhando...
Meu gordinho, o que tenho pra te dizer é que estou ao teu lado sempre pra te dar o abraço, te dar o colo, o carinho e o aconchego que vc precisar...até que o amargo da dor suma e o morninho da alma apareça...e depois, ainda...continuaremos caminhando.
Com amor...
19/8/2010

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