
...eletricista,
amigo,
contador,
conserta-tudo...
mas o meu nome favorito é pai, o MEU Pai...
Iscas de fígado com cebola
1 kg de fígado de boi
Sal
1 cebola média em rodelas
Suco de limão e pimenta
Aconteceu, se me lembro bem, em algumas quartas-feiras. Meu pai vinha com minha mãe até minha casa para juntos saborearmos a vida-receita.
Eu preparava o mise en place* com antecedência para não desperdiçar um só momento daquele sabor concentrado em conselhos, curas, orientações contábeis e consertos pela casa.
Um fio de azeite na panela, alho brunoise* e o aroma perfumava o ambiente como o amor de meu pai perfumou minha vida tantas vezes.
Fígado cortado à mignonnette*, lembrava os pequenos momentos que construíam relação pai-filha, temperados com sal, amor, pimenta, calor e suco de limão – para ajudar a derreter os ransos.
Mais uma vez o ambiente era perfumado com outro aroma, mais forte, mais intenso como os momentos de dor em que ele, o meu pai, me acolheu e me amparou.
Ah...como eu poderia imaginar que passaria por tamanha dor?
As rodelas de cebola e o cuidado do pai vinham para suavizar momentos tão doloridos...
À medida em que os cubos de carne iam sendo cozidos e adquiriam coloração, a vida que agora se apresentava era remodelada, reconfortada, reconstruída...
Aquele sabor, aquecido pelo zelo e amor se juntavam a um arroz branquinho recém-feito e a uma salada de agrião fresquinha...
Hoje das degustações vividas com ele, saboreio as preparações que há um mês deixaram de ser reais e são lembranças, somente lembranças.
Obrigada, Pai! 22/5/2008
Mirepoix
* Ione Teichmann – Tecnologia Culinária

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